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2 de janeiro de 2006

Poeta e/ou louco 
– não por ter perdido a razão, 
mas por ter perdido tudo, exceto a razão –, 
sou o atávico modernete, 
com espelhos falsos nos óleos e labirínticos ecos nos olvidos. 
Aquele que flana cirandarilho 
a fumar espirais que mentaliza mentoladas. 
Em teoria, pratico um Pós-simbolismo bop barroconcreto. 
Desde a primeira vez que nasci, 
leio em demasia à quilo que a reescrever Nada compreendo, 
analfabetização que inaugura minha fase autoral, 
se me é de direito indo mal e bem-vindo, 
sinistro, voltar de tão monge. 
Críptico empírico e amigo ambíguo, fiquei múltriplo, 
fiz-me e desfiz-me hum ano 
demasiados loves fora, resto eu: esfingédipo. 
Confesso que nunca me confessei, 
pois paripasso pari-passeei estreito 
ao largo de idealismologias e ideologialismos, 
com espírito incorreto, coração quase deserto, 
além do futuro hermeticamente aberto. 
Sólido e solitário, fiz (Davi) da vida máscara, 
de cada lida verve em queda livre, 
vide a masturbação verborrágica desta ontologia fonética. 
Infelizmente estou feliz. 
Às penas peço ficções paralelas e visões para lê-las, 
que só acre dito na profaníssima trindade: 
Amor, Poesia e Liberdade.